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quarta-feira, 9 de março de 2011

A VIDA NOS ARROZAIS!..

Vou contar  a vida rude
Que passei na natureza
Foi uma luta constante
Ainda hoje sinto tristeza




Vou contar que improvisava
Cantigas à Camponesa
Tinha graça  e beleza
Os versos que lá cantava
Vou contar que batalhava
Dei de mim tudo o que pude
Dei a minha juventude
Mas ficaram alguns valores
para uns certos senhores
Vou contar a vida rude




Tinha  um chapéu desbotado
Punha-o logo pela manhã
Ainda cheirava  a hortelã 
Do campo onde tinha andado
Para ficar mais engraçado
E para tapar a pobreza
Punha-lhe uma fita azul-turquesa
E punha também uma rosa
Que vida maravilhosa
Que passei na natureza


Eu e outras jornaleiras
Antes de romper a aurora
já íamos pelos caminhos fora
acordando as companheiras éramos mocinhas trigueiras
Queimadas pelo sol ardente
Eu nem me quero lembrar
fartei-me de trabalhar
Foi uma luta constante




Há noite sentada ao burra-lho
Ceava à luz do candeeiro
Comia um bocadinho de pão caseiro
E umas sopinhas de alho
Vinha cansada do trabalho
Ficava  sentada à mesa
Com aquela luzinha acesa
Ficava ali a pensar
Muitas vezes punha-me a chorar
Ainda Hoje sinto tristeza