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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A VIDA NOS ARROZAIS!...


Fartei-me  aqui de sofrer
Um  dia gritei, já basta
Carvalhal viste-me crescer
Terra mãe foste madrasta





Com nove anos já trabalhava
Era uma pobre criança
Ainda guardo a lembrança
A pancada que apanhava
Trabalhava, trabalhava
Muitas vezes sem comer
Ainda tinha que viver
Numas toscas cabanitas
Fui escrava de parasitas
Fartei-me aqui de sofrer




Trabalhei nos arrozais
Ceifeitrigo, ceifeicevada
Cavei terra com geada
cortei mato nos pinhais
Os patrões b, queria sempre mais
Era todos da mesma casta
não se ganhava quase nada
Fartei-me de ser explorada
Um dia gritei, já basta






O destino assim quis
Vim outra vez cá parar
E  até gosto de morar
No Largo do chafariz





Passo  aqui um Verão feliz è tão bom olhar e ver
Quando o sol vem a nascer
A aldeia fica linda
Eu sou aquela Rosinda
Carvalhal viste-me crescer




Hoje  estou velha , envelheci
E de velha já não passo
Os poemas que aqui faço
Também não passam daqui
Queria  os cantar  para ti
 Mas já sinto
A idade já me arrasta
Vou-me embora a minha poesia
Terra  mãe foste madrasta

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