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domingo, 23 de outubro de 2011

Á Muda

Quando posso fico a pensar
Fartei-me de trabalhar
Naquele vale da chafurda
No meio da Natureza
Mora uma linda princesa
A princesa é a Muda




Mora no fim da Comenda
A marota tem uma lenda
Por isso é que ela é muda
Ali não lhe falta nada
È uma princesa da chafurda




Por entre os verdes pinhais
Há jardins e há quintais
É uma charneca florida
Quem me havia de dizer
O que ainda vinha a ver
Já quase no fim da vida




Quem tiver o privilégio
De ter casa no Alentejo
Goza de um belo prazer
O Alentejo não engana
Esta Costa Alentejana
Até ajuda a viver.

quarta-feira, 9 de março de 2011

A VIDA NOS ARROZAIS!..

Vou contar  a vida rude
Que passei na natureza
Foi uma luta constante
Ainda hoje sinto tristeza




Vou contar que improvisava
Cantigas à Camponesa
Tinha graça  e beleza
Os versos que lá cantava
Vou contar que batalhava
Dei de mim tudo o que pude
Dei a minha juventude
Mas ficaram alguns valores
para uns certos senhores
Vou contar a vida rude




Tinha  um chapéu desbotado
Punha-o logo pela manhã
Ainda cheirava  a hortelã 
Do campo onde tinha andado
Para ficar mais engraçado
E para tapar a pobreza
Punha-lhe uma fita azul-turquesa
E punha também uma rosa
Que vida maravilhosa
Que passei na natureza


Eu e outras jornaleiras
Antes de romper a aurora
já íamos pelos caminhos fora
acordando as companheiras éramos mocinhas trigueiras
Queimadas pelo sol ardente
Eu nem me quero lembrar
fartei-me de trabalhar
Foi uma luta constante




Há noite sentada ao burra-lho
Ceava à luz do candeeiro
Comia um bocadinho de pão caseiro
E umas sopinhas de alho
Vinha cansada do trabalho
Ficava  sentada à mesa
Com aquela luzinha acesa
Ficava ali a pensar
Muitas vezes punha-me a chorar
Ainda Hoje sinto tristeza

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

A VIDA NOS ARROZAIS!...


Fartei-me  aqui de sofrer
Um  dia gritei, já basta
Carvalhal viste-me crescer
Terra mãe foste madrasta





Com nove anos já trabalhava
Era uma pobre criança
Ainda guardo a lembrança
A pancada que apanhava
Trabalhava, trabalhava
Muitas vezes sem comer
Ainda tinha que viver
Numas toscas cabanitas
Fui escrava de parasitas
Fartei-me aqui de sofrer




Trabalhei nos arrozais
Ceifeitrigo, ceifeicevada
Cavei terra com geada
cortei mato nos pinhais
Os patrões b, queria sempre mais
Era todos da mesma casta
não se ganhava quase nada
Fartei-me de ser explorada
Um dia gritei, já basta






O destino assim quis
Vim outra vez cá parar
E  até gosto de morar
No Largo do chafariz





Passo  aqui um Verão feliz è tão bom olhar e ver
Quando o sol vem a nascer
A aldeia fica linda
Eu sou aquela Rosinda
Carvalhal viste-me crescer




Hoje  estou velha , envelheci
E de velha já não passo
Os poemas que aqui faço
Também não passam daqui
Queria  os cantar  para ti
 Mas já sinto
A idade já me arrasta
Vou-me embora a minha poesia
Terra  mãe foste madrasta

VIDAS NOS ARROZAIS !....

 

Sou uma pessoa  insegura
Por ter pouca instrução
Eu tenho pouca cultura
Mas tenho educação






Eu dou sempre o meu abraço
Sou um homem trabalhador
Não faço o que faz o Doutor
O Doutor não faz o que eu faço 
Trabalho em ferro , trabalho em aço
Pinto um quadro , faço a moldura
E por ter pouca cultura 
A mais não sou obrigado
Estou sempre desconfiado
Sou uma pessoa  insegura

 
Sei semear trigo e cevada
Milho , feijão e batatas
Não sou nenhum vira-latas 

Por trabalhar com uma enxada
Sou uma pessoa honrada
Cada um tem o que lhe dão
dada a minha condição
Não saio do meu curto espaço
Não sei o valor do que faço
Por ter pouca instrução






Faço um tacho , uma panela
Faço um balde e um alguidar
ponho um motor a trabalhar
Faço uma porta e uma janela
Faço uma quadra  singela
Faço tudo com muita ternura
Sou uma simples criatura
Não sou, nem nunca fui louco
Sei fazer de tudo um pouco
Eu tenho pouca cultura




Faço um  fato e um sobretudo
Faço uma camisa e umas calças
Só não faço notas falsas
Nem sapatos de veludo
Em grandezas não me iludo
Neste mundo de ilusão
Tenho os pés assentes no chão
Sou um homem verdadeiro
Faço tudo e não tenho dinheiro
mas tenho educação

A VIDA NOS ARROZAIS !



Antigamente nesta herdade
trabalhava-se todos os dias
Vinham ranchos de caramelos
Vinham ranchos de Algarvias



Os Caramelos eram contratados
Para rebacha e para a plantação
Para fazerem um bom verão
Passavam uns maus bocados
Trabalhavam todos molhados
Debaixo de tempestade
A sua necessidade
Obrigava-os a caminhar
Fartaram-se de penar
Antigamente nesta herdade




À noite no Alto Pina
Faziam grandes fogueiras
Comiam as papas nas caldeiras
No fim tocavam concertina
À luz de uma lamparina
Comiam sarmões, comiam enguias
Pescavam nas acétias
Pescavam na val real
Comiam pouco e mal
Trabalhavam todos os dias




Mondava-se até Agosto
E no dia da acabada
Quando a bandeira era roubada
Sofria-se um grande desgosto
Havia brincadeiras de mau gosto
Mas passava-se momentos belos
Os cerangos pareciam martelos
Ás vezes até doía
Para esta companhia
Vinham ranchos de caramelos






Lembram-se nos celeiros?
Nunca faltava um bailinho
Havia passas havia vinho
Para os rapazinhos solteiros
Eles eram namoradeiros
Lá tinham as suas manias
bailavam todos os dias
Naquela idade era normal
Para este lindo Carvalhal
Vinham ranchos de algarvias

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Trago Alentejo na Voz"

Trago Alentejo na voz
Do cantar da minha gente
Ai rios de todos nós
Que te perdes na corrente
 



Ai planícies sonhadas
Ai sentir de olivais
Ai ventos na madrugada
Que me transcendem demais

 


















Amigos, amigos
Papoila no trigo

Só lá eu as tenho
E de braço dado contigo a meu lado
É de lá que eu venho
E de braço dado
Cantando ao amor
Guardamos o gado, papoilas em flor,
Que o vento num brado

Refresca o calor
E de braço dado, contigo a meu lado
Cantamos o amor

Ai rebanhos de saudades
Que deixei naqueles montes
Ai pastores de ansiedade
Bebendo água nas fontes

Ai sede das tardes quentes
Ai lembrança que me alcança
Ai terra prenhe de gente
Nos olhos duma criança

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Grândola Vila Morena





Grândola, Vila Morena
Terra da Fraternidade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade
Em cada esquina, um amigo
Em cada rosto, a igualdade
O povo é quem mais ordena
Dentro de ti, ó cidade



Dentro de ti, ó cidade
Juro em ter a companheira
`A sombra de uma azinheira
Que já não sabia a idade