Que passei na naturezaFoi uma luta constante
Ainda hoje sinto tristeza
Vou contar que improvisava
Cantigas à Camponesa
Tinha graça e beleza
Os versos que lá cantava
Vou contar que batalhava
Dei de mim tudo o que pude
Dei a minha juventude
Mas ficaram alguns valores
para uns certos senhores
Vou contar a vida rude
Punha-o logo pela manhã
Do campo onde tinha andado
Para ficar mais engraçado
E para tapar a pobreza
Punha-lhe uma fita azul-turquesa
Que vida maravilhosa
Que passei na natureza
Eu e outras jornaleiras
Antes de romper a aurora
já íamos pelos caminhos fora
acordando as companheiras éramos mocinhas trigueiras
Queimadas pelo sol ardente
Eu nem me quero lembrar
Foi uma luta constante
Há noite sentada ao burra-lho
Ceava à luz do candeeiro
Comia um bocadinho de pão caseiro
E umas sopinhas de alho
Ficava sentada à mesa
Com aquela luzinha acesa
Ficava ali a pensar
Muitas vezes punha-me a chorar
Ainda Hoje sinto tristeza
Uma poesia simples e bela como toda a paisagem do Alentejo.
ResponderEliminarSó escreve assim quem viveu esses dias e sofreu na pele com o calor e a fome.
Voltarei a passar por aqui e a acompanhar o teu blogue.
lindas fotos por aqui
ResponderEliminarkis .=)